Quarta-feira, Abril 26, 2006


O Flog mais lindo.










Helê



photo by Ballet da cidade de são paulo

Aquele cachorro não sabe ser cachorro;
Não late, não ama seu dono. Não abana o rabo. Não morde.
Aquele pássaro não sabe voar. Prefere estar na gaiola. Se alimenta com o que dão.
Aquele pássaro tem preguiça de cantar.
Aquele gato gosta de comer azeitonas. Não quer copular. Acha imbecil os outros gatos que vagam pela noite.
Aquela pessoa não sabe ser pessoa. Não entende o que é ser gente. Não quer comer, não quer sair, não quer sorrir. Não quer amar. Não quer odiar. Não quer mentir.
Não quer SER. Ela que já É. Mas que não sabe o que fazer com isso tudo. Essa liberdade grande. Tantas escolhas, tantos livros para ler, tantos meninos para possuir.O mar infindo que quer ser invadido. Tudo que é infinito é solitário. E Ser é assim: Infinito, solitário e perdido.


Helê


Domingo, Abril 23, 2006



photo by Ballet da cidade de são paulo

Mista
Às vezes é lunar.
E o brilho espectral escorre por toda pele prateada.
Senta assustada,insone; espera a aurora.
Fragmentada.
Adia, dia após dia.
a aurora febril;
Às vezes é solar;
corpo estelar estatelado ao chão
manta dourada volumosa que esquenta os pulmões.
respira cintilante até o sono chegar quente;
Às vezes esquece quem é
Então diz para si mesma:
Sou alguém.
Simplesmente alguém.
Helê


Sábado, Abril 22, 2006


Mais Clarice
Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres.

(...)passou perfume na testa e no nascimento dos seios- a terra era perfumada com cheiro de mil folhas e flores esmagada: Lóri se perfumava e essa era uma das suas imitações do mundo, ela que tanto procurava aprender a vida- com o perfume, de algum modo intensificava o que quer que ela era e por isso não podia usar perfumes que a contradiziam:perfumar-se era de uma sabedoria instintiva.(...)

A entrevista com Clarisse que o Israel me passou é maravilhosa e mostra a força da mulher que era Clarisse Lispector.
Clique aqui e veja a entrevista feita por Julio Lerner em 1977 apresentado por Gastão na TV cultura.

Helê


Quarta-feira, Abril 19, 2006



Desenho de Rafael Tavares(Curitiba,BR)
Helê:- Que bocona vc fez!
Rafa:-Não vou tirar, é assim mesmo.
:s

Lição de casa:

Acreditar no que eu vejo.


Lição de casa II:

Acreditar no que eu sinto
Helê





música e Victor, muito Victor

sufjan and stevens o Victor me passou essa madrugada, e caiu muito bem, muito bem, pena que são poucas as pessoas que o conhecem,ainda. Visite o site dele clicando aqui.E ah... O Victor está com um álbum. Vale a pena conferir.Eu acompanhei desde o comecinho.

Já bem mais conhecido, Valsa da dor de Villa Lobos, eu estou viciada nessa música.E por fim, uma que um colega da facul me passou, samba rock, de Dóris Monteiro, é isso ai.A dica tá dada.

Conselhos do Victor:

o equilibrio natural de "não tenho isso?, tudo bem, eu posso conquistar... e se eu não conquistar, tudo bem também... eu não vou ter a vida que eu quero, eu vou ter a vida que eu posso, por isso, eu vou dormir, comer legal, sair, fazer o possível e deixar que o impossível seja feito pelo destino, que é um palhacinho lindo e adora fazer surpresas!"


Helê


Quinta-feira, Abril 13, 2006


ontem eu fui ver a "entrevista com Stela do Patrocínio" com Georgette Fadel no centro cultural são paulo. Bem forte. é toda musicada. Mas é linda , linda, linda.
trechos:

comecei a existir
com quinhentos milhões e quinhentos mil anos
logo de uma vez, já velha
eu não nasci criança
nasci já velha
depois é que eu virei criança
sei que primeiro a gente vive vive até
cansar de viver
e morre até
cansar de morrer vira bicho
a senhora não acredita?
não fomos lá no seu zoológico e vimos né?
como ficamos
se não tiver tratamento
vira bicho
também vira animal
Ter que conviver com a violência e a grosseria
pra ganhar o pão de cada dia
"Eu era gas puro, espaço vazio, tempo"
"Olha quantos estão comigo. Estão sozinhos. Estão fingindo que estão sozinhos, pra poder ficar comigo."
Era Stela, não é mais. Agora é reino dos bichos e dos animais...

Eu era gases puro, ar, espaço vazio, tempo
Eu era ar, espaço vazio, tempo
E gases puro, assim, ó, espaço vazio, ó
Eu não tinha formação
Não tinha formatura
Não tinha onde fazer cabeça
Fazer braço, fazer corpo
Fazer orelha, fazer nariz
Fazer céu da boca, fazer falatório
Fazer músculo, fazer dente

Eu não tinha onde fazer nada dessas coisas
Fazer cabeça, pensar em alguma coisa
Ser útil, inteligente, ser raciocínio
Não tinha onde tirar nada disso
Eu era espaço vazio puro
Sobre o livro

Eu não sei o que fazer da minha vida
Por isso eu estou triste
E fico vendo tudo em cima da minha cabeça
Em cima do meu corpo
Toda hora me procurando me procurando
E eu já carregada de relação sexual
Já fodida
Botando o mundo inteiro para gozar e sem gozo nenhum

Não sou eu que gosto de nascer
Eles é que me botam pra nascer todo dia
E sempre que eu morro me ressuscitam
Me encarnam me desencarnam me reencarnam
Me formam em menos de um segundo
Se eu sumir desaparecer eles me procuram onde eu estiver
Pra estar olhando pro gás pras paredes pro teto
Ou pra cabeça deles e pro corpo deles


Helê


Quarta-feira, Abril 12, 2006


Você pode saber tudo sobre minha vida, mas nunca saberá tudo o que eu sinto.
Helê


Segunda-feira, Abril 10, 2006




Os dois livros que li nos últimos dias. São Best sellers. Lembra um pouco a abordagem de " O Mundo de Sofia". Só que com pinceladas psicanalíticas e psicoterápicas. Eu li A Cura de Shoppenhauer antes, foi leve e interessante, e é dicutido um tema mto atual a terapia de grupo misturado à filosofia, embora entre cada capítulo tivesse a história do filósofo e o Philip fosse uma cópia mal feita de tal. Conta a história de Julius, um psicoterapeuta que descobre que tem pouco tempo de vida. Ele então lembra de seus fracassos, e resolve procurar Phiplip um jovem com compulsão sexual, que no passado foi paciente de Julius sem os devidos sucessos. Julius reencontra Philip e descobre que este foi curado, por Shoppenhauer. Ambos resolvem fazer uma troca, Julius inicia Philip na cura filosófica e Philip participa das terapias de grupo.
Há quem diga que filosofia e psicologia não devem ser tratadas juntas. Eu discordo. Acredito numa fusão de ciências.
QUANDO NIETZSCHE CHOROU, eu acabei de ler esses dias, e achei que o autor correu um grande risco. Criar um personagem em cima de um homem notável é de tremenda ousadia. Irvin foi bem sucedido em sua proposta. E eu gosto que as pessoas flertem com esses grandes filósofos, mesmo que através de algo mais comestível. Só falta agora ele romancear Sartre.

Helê


Quarta-feira, Abril 05, 2006


Meu cérebro defeca
sonhos
Helê

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